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    APAGANDO A MEMÓRIA

     

    Tem um filme chamada "Brilho Eterno De Uma Mente Sem Lembrança", com o Jim Carrey e Kate Winslet que conta a história de uma empresa que apaga memórias específicas das pessoas. Ela pede que ele - que era seu namorado - seja apagado de sua memória pois, apesar de serem apaixonados, o relacionamento os faz sofrer. Ao tomar conhecimento do que ela fez, ele faz o mesmo. Bom, quem não assistiu e pretende assistir, pare de ler se quiser pois vou resumir o que acontece. Eles se encontram - já desmemoriados um do outro - e se apaixonam novamente. Lembro-me que quando assisti o filme pensei imediatamente: "ah, se isso fosse possível". Apagar passagens dolorosas e pessoas que nada acrescentaram além de dor nas nossas vidas. Sim, eu gostaria de apagar pessoas da minha memória. Algumas vezes sofremos e tiramos algo bom do acontecido, amadurecemos. Mas às vezes, pessoas passam pela nossa vida e deixam um sentimento de "eu poderia ter ficado sem essa!", "porque isso aconteceu comigo?" ou "não entendi nada!". Sim, eu apagaria lembranças desnecessariamente penosas da minha memória. Algumas pessoas dirão que tudo nessa vida serve a um propósito. Eu vos digo, para cada pessoa irresponsável que me fez sofrer, uma cicatriz foi adicionada ao meu coração de modo que, não sobrou mais espaço... Essa descoberta, se posta em prática como no filme, talvez me desse uma esperança de curar estas feridas.

     

    M. D.

     

    21/08/2007 - 10h47

    Cientistas israelenses descobrem proteína que pode apagar memória

     
    Da Efe, em Jerusalém
     
    O processo da memória é dinâmico, já que nossas lembranças não são gravadas como um texto em uma folha, mas uma proteína, a enzima PKN-zeta, atua como uma pequena máquina que a mantém viva e também pode apagá-la.

    A descoberta foi feita pelo professor Yadín Dudai, chefe do Departamento de Neurobiologia do Instituto de Ciências Weizman, da cidade israelense de Rehovot, e por sua colaboradora na pesquisa, Reut Shema, anunciou hoje Yvsam Azgad, porta-voz do centro.

    "O principal objetivo da pesquisa é contribuir para o fortalecimento da memória em pessoas idosas ou que sofreram problemas devido a acidentes, mas também poderia ser aplicada para remover lembranças traumáticas", disse Azgad.

    Os cientistas trabalharam segundo uma hipótese do investigador americano do Downstate Medical Center, Todd Sacktor, que adestrou ratos de laboratório para rejeitar certos sabores.

    Em seguida, Sacktor injetou neles uma droga capaz de bloquear a enzima PKN-zeta, uma proteína específica em uma área do cérebro associada à memória dos sabores, e imediatamente os ratos esqueceram o que tinham aprendido.

    Esta enzima é encontrada na sinapse, o ponto de união funcional entre duas células nervosas, e é capaz de modificar algumas facetas na estrutura deste contato.

    Para isso, deve estar sempre ativa, a fim de reter as mudanças que tenham ocorrido, como por exemplo o aprendizado incorporado à memória, de onde os cientistas concluem que esta última é dinâmica, e não algo estático.

    Dudai e Shema - que na semana passada expuseram a descoberta na edição da revista "Science" - entenderam que se a PKN-zeta for "silenciada" na sinapse a mudança produzida pela enzima poderia ser revertida.

    Com a aplicação da droga para anular o efeito da enzima, foi comprovado que os ratos treinados para rejeitar certos sabores, esqueceram o que aprenderam, e todos os sinais indicam que as "más memórias" formadas com a aprendizagem sumiram um mês depois do adestramento.

    Se a técnica funcionar em humanos, o "apagão" de memória - ou de más lembranças - poderia ser aplicado até mesmo para fatos ocorridos anos antes.

    Segundo o porta-voz do Instituto Weizman, trata-se da primeira demonstração de que a memória no cérebro pode ser apagada algum tempo após sua formação.

    Além disso, segundo ele, a descoberta pode abrir caminho para futuros tratamentos em caso de problemas de memória e torna possível o desenvolvimento de medicamentos que possam estimulá-la e estabilizá-la.
     
    Fonte: UOL Ciência e Saúde

    QUAL CRISE?

     
    por Olmo Xavier
     
    É acintosa a hipocrisia quando o tema é "crise aérea". O debate é necessário. Porém, por que não fazê-lo também sobre outras crises que há muito mais tempo assolam milhões de homens e mulheres diariamente? São incontáveis as horas úteis perdidas por trabalhadores e estudantes de todas as idades nos ônibus, trens e barcos do Brasil. É bom ressaltar que não se trata de uma crise constatada nos últimos 10 meses e sim, nas últimas décadas.

    São veículos, na sua maioria, inadequados ao transporte de pessoas, verdadeiros caminhões encarroçados na forma de ônibus, e em péssimo estado de conservação. Estou falando de ônibus e trens que chovem dentro durante a chuva; que sujam e rasgam a roupa do trabalhador; de 10 pessoas por metro quadrado, o que só é comparável a gaiolas que transportam bois e porcos do local de suas engordas ao matadouro; de veículos que quebram e de viagens que não chegam a acontecer; de uma gestão pública que não se apresenta nunca; de artifícios desenhados para ampliar o lucro de empresários, alongando intervalos, superlotando veículos e atrasando a vida do passageiro.
    O curioso é que nunca vimos alguém defender a necessidade da criação de CPI's para discutir o assunto. Os jornais falados, escritos e televisados sequer tangenciam o tema em suas pautas. A não ser quando a crise do transporte público afeta o ir e vir dos cidadãos um pouco mais nobres, como os que conseguem se deslocar com seus próprios veículos. Em uma greve recente dos metroviários na cidade de São Paulo um repórter alardeou na televisão: "O trânsito da cidade está caótico com a greve dos metroviários". Se não fosse pelo caos no trânsito, era bem possível não sabermos que o metrô parou, três vezes só neste ano, na maior cidade brasileira.
     
    Isso se dá, pura e simplesmente, pelo fato de os brasileiros que utilizam os serviços de transporte coletivo serem, na maioria, cidadãos pertencentes às classe C e D, carentes de canais para denunciar os seus problemas cotidianos. Os cidadãos da classe E andam a pé por não ter condições de arcar com o preço das tarifas.
    O ciclo é tão vicioso, que nós fomos convencidos que pessoas classificadas nas classes A e B valem mais que as demais. Se um usuário de transporte público for entrevistado no interior de um terminal de ônibus urbano em qualquer cidade brasileira, ele irá discorrer sobre a crise aérea com mais propriedade do que falaria sobre as causas das mazelas que enfrenta em seus deslocamentos diários. Mesmo que nunca tenha pisado em um aeroporto. Por quê? Esta orquestra tem um maestro: a mídia. No contexto sócio-econômico-cultural de país em desenvolvimento, a mídia exibe uma força descomunal e um imenso poder de persuasão. Cabe lembrar que em países como França, Inglaterra e os Estados Unidos, esse poder diminuiu na medida em que a democracia se fortaleceu. A sociedade passa a se balizar em mais variadas fontes de informação. Aqui, a mídia tenta reger a sociedade e os políticos. Aqui a mídia causa.

    O setor aéreo tem passado por grandes transformações nos últimos anos. O número de passageiros se multiplicou com o início de um processo de "deselitização" do transporte aéreo, previsível no cenário de melhor distribuição de renda e relativo crescimento econômico. Em 2000, Congonhas, em São Paulo, recebeu 10 milhões de passageiros e o aeroporto Juscelino Kubitschek, em Brasília, 5 milhões. Em 2006, 18 e 9,6 milhões, respectivamente. Em todo o país, o crescimento também foi expressivo. Em 2003, eram 72 milhões, no ano passado, esse número chegou a 102 milhões. Curiosamente, o número de aeronaves das maiores companhias caiu de 350 em 2001 para 265 hoje.

    A infra-estrutura, de fato, não acompanhou a velocidade desse processo e deixa a desejar em vários aspectos. Porém, as apurações dos dois trágicos acidentes que mataram quase 400 pessoas, apontam para falha humana ou mecânica como causas dos desastres. Ou seja, a crise não merece o status de caos nacional, diante dos enormes problemas sociais que temos. Respostas precisam ser dadas. Mas outras muitas perguntas estão lançadas. Como aceitar que, a cada dois dias, morram em acidentes de trânsito no País o equivalente a uma tragédia com o avião da TAM, cheio de gente? Quanto isto custa para nós em dores e em dólares?

    Serviços essenciais a todos os brasileiros como saúde, educação, moradia, alimentação, transporte público, segurança, lazer e, inclusive, o sistema de transporte aéreo merecem toda nossa atenção e empenho. Não podemos esmorecer alegando cansaço como alguns. A luta é árdua e a estrada é longa.

    Olmo Xavier é arquiteto e urbanista

    Informativo Caros Amigos nº 301, 09 de Agosto de 2007.
    Revista Caros Amigos (http://www.carosamigos.com.br) - São Paulo, Editora Casa Amarela, Agosto, 2007.

    AEROPORTO DE GIBRALTAR

     
    Para você que pensa que o aeroporto de Congonhas (cidade de São Paulo ) é perigoso por estar dentro da zona urbana...O Aeroporto Internacional de Gibraltar (uma pequena península rochosa que faz fronteira com a Espanha, perto de Marrocos) possui uma avenida que cruza a pista de pousos e decolagens. Quando o semáforo fica vermelho, os automóveis param e um avião passa à velocidade de decolagem à sua frente. Pra tudo tem um jeito nesse mundo...ou seja, o perigo não é bem em Congonhas, mas sim no uso inadequado que é feito do aeroporto e no descontrole do tráfego aéreo nesse país...
     
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    AMIGOS

     

    AOS AMIGOS DA MONYTEL

    "Eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos os meus amores, mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos! A alguns deles não procuro, basta-me saber que eles existem. Esta mera condição me encoraja a seguir em frente pela vida... mas é delicioso que eu saiba e sinta que os adoro, embora não declare e não os procure sempre..."

    Vinicius de Moraes