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PARA UMA AMIGAAmiga, por favor, lute! Você é mulher. Você é forte. Você pode o que quiser. Por favor, lute!
Suas lágrimas de sangue serão enxugadas por um Anjo! LUTE! LUTE!
LUTE! Minha história - Capítulo IEra uma vez um bebê nascido no dia 11/11/1970, às 23:45, numa maternidade na Rua Pedro Fioretti, em frente a uma fábrica de biscoitos de polvilho na cidade de Osasco, estado de São Paulo, Brasil, sexo feminino, cor branca. O pai registrou-a no dia seguinte pois na época cobravasse uma multa por atraso no registro. Mas a mãe garante que foi no dia 11 mesmo. As indagações sobre como era possível haver essa multa se às 23:45 não havia cartório. Nenhuma resposta até o presente momento. Talvez uma averiguação na maternidade esclarecesse os fatos. Mas o dia onze realmente parece o mais adequado para esse bebê. A numerologia poderia esclarecer o porquê.
Ao receber o bebê para a primeira mamada a mãe admirou-se: "Que bichinha feia!". No que foi contrariada pela enfermeira que a trouxe: "Imagine, é tão linda!. Teria o bebê ouvido o curto diálogo? Se ouviu, qual opinião ficou gravada em sua memória?
Das poucas lembranças que tenho da minha infância - que eu considero até os 7 anos - lembro-me de dias frios, quando minha mãe colocava na minha cabeça um gorro vermelho, daqueles parecidos com a touca que os pilotos de Fórmula 1 usam.
Lembro-me de brincadeiras com meus irmãos, quando minha mãe, que sempre trabalhou fora, nos deixava em casa sozinhos. Meus irmãos formavam uma escadinha com pouco mais de 1 anos de diferença de idade entre eles. Eu, como dizia minha mãe, vim de xereta 7 anos após o último rebento. Meus irmãos, portanto, eram adolescentes. As brincadeiras consistiam em enrolar cortinas e cobertores em volta da cintura para simular os volumosos vestidos do século XIX. Cadeiras enfileiradas, uma atrás da outra, formavam uma carruagem onde o cocheiro era sempre o meu único irmão homem, que também era o mais velho de todos. Quando minha mãe estava chegava no portão, era uma correria danada para colocar as cortinas e cobertores nos lugares senão era bronca na certa. Ela vivia sempre muito nervosa.
Uma lembrança mais vaga me leva a um guarda-roupas, onde eu entrava, fechava a porta e ficava chupando a beirada de um cobertor até alguém me encontrar. Criança tem umas manias esquisitas mesmo.
Outra lembrança, esta bem mais forte, era que eu acordava no chão todos os dias. Meu antigo berço foi transformado em uma caminha, onde eu dormia no quarto dos meus pais. Eu nunca soube como ia parar no chão. O fato é que eu acordava no chão e, ao invés de voltar pra cama, puxava a coberta e ficava por lá mesmo, continuava a dormir. Uma pessoa me disse que talvez eu fosse sonâmbula. É uma boa explicação. |
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